- Muitas de suas músicas, fazem sucesso no meio católico, fazem parte da história de muitas pessoas. Como é saber disso? Qual sua opnião sobre o cenário atual da música católica?
Pe.Joãozinho - Melhorou o cenário de intérpretes e instrumentistas. Hoje se toca e canta bem melhor do que a vinte anos. Mas vivemos uma forte carência de bons compositores. Muitos intérpretes quando vão gravar um CD têm dificuldade de arrumar bom repertório, ou regravam o que já foi sucesso. Outra dificuldade é que los Ministérios de Música em geral sonham em se tornar uma banda e gravar um CD. Quando isso acontece querem fazer shows, e não mais tocar na missa ou no grupo de Oração. Isto é o começo do fim.
Fazer uma canção que se torna popular é uma graça muito grande para um padre. É como se um sermão de três minutos fosse decorado por todo um povo que canta do começo ao fim sem papel na mão "conheço um coração..."
- Como nascem as canções? Tem alguma história sobre o "nascimento" de uma canção que você goste mais?
Pe.Joãozinho - As canções mais inspiradas acontecem inesperadamente e já vêm completas, com letra e música. Foi assim com "Mestre", "Oração de Cura", "Conheço um coração", "Deus agirá" e "Mãe". Esta última aconteceu em Taubaté. Eu tinha que cantar para um grupo de mães da terceira idade, quando ainda era seminarista. Mas esqueci do compromisso. Quando vieram me buscar é que vi que não saia nenhuma música de homenagem para a mãe. Procurei um disco e não econtrei. Então Deus me socorreu e a música saiu em cinco minutos. É uma de minhas canções de que mais gosto.
- Como você vê o teatro cristão? É um importante meio de evangelização? O que poderia ser feito para usar melhor a arte na evangelização?
Pe.Joãozinho - É um meio fantástico de comunicação da fé e dos valores. É primo-irmão da liturgia. Poderíamos incentivar mais o teatro, mas separado da liturgia. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Cada um dos dois tem sua linguagem. Missa não é teatro e teatro não é missa.
- Você sempre está envolvido em algo em prol a evangelização. Como você vê a participação dos jovens nessa missão?
Pe.Joãozinho - A juventude tem garra e força para superar paradigmas, abrir-se ao novo e enfrentar desafios. A Igreja precisa da irreverência dos jovens. Vi igrejas na Europa sem jovens nem crianças. É deprimente.
- Ser Sacerdote, ser músico, ser escritor, ser pessoa. Como é conciliar todas essas missões, sua vocação, seu coração, seu dom...?
Pe.Joãozinho - É preciso exercitar a disciplina e fazer uma lista de prioridades. Nem sempre consigo responder todos os e-mails como gostaria. Tenho artigos para revistas que têm data marcada. Às vezes atraso... Mas o importante é não achar que isso vai salvar o mundo. Jesus já salvou. É preciso encontrar tempo para repousar. E eu encontro, entre uma viagem para o sertão de Pernambuco e a floresta do Amapá.
- A arte na Igreja apesar de ter melhorado muito, ainda é muito aquém da arte secular. Aonde você acha que está a nossa maior falha, já que essa missão é de todos?
Pe.Joãozinho - Tem toda razão. Ainda temos que melhorar nosso padrão artístico. Acho que estamos no caminho. Mas precisamos entender que arte é 10% de inspiração e 90% de transpiração. Sei o quanto os artistas profissionais estudam e ensaiam. Achamos que para Deus, para a igreja, de qualquer jeito está bom... mas isso está mudando. Graças a Deus!
- Qual seu sonho para a arte dentro da Igreja?
Pe.Joãozinho - Sonho com o dia em que descobrimos que a arte parte da simplicidade das formas. Sonho com uma liturgia mais artística onde não haja comentários; onde o padre fale menos e reze mais; onde o povo participe sem precisar que alguém fique dizendo a letra do canto na frente, como se fossem todos infantis; onde haja menos barulho e mais mística... acho que realmente estou ficando velho. Mas to achando muito do que fazemos dentro da igreja, muito, mas muito chato. Não estou sozinho nesta náusea. Adélia Prado disse estes dias que algumas igreja tem sido um ótimo lugar para se esconder de Deus!
- O que você escuta? Quais são seus artistas preferidos?
Pe.Joãozinho - Gosto de MPB. Das mulheres escuto muito Maria Rita, Bethânia, Rita Lee (qe é um gênio), Cássia Eller (só o acústico MTV), e gostava de ouvir a Ana Carolina (mas ultimamente ele se proibiu para menores como eu). Dos homens gosto de tudo do Chico Buarque, de algumas coisas do Gilrberto Gil, do balanço do Lulu Santos e da melancolia do Milton. Gosto de algumas bandas. Ouço muito o Equilíbrio Distante do Renato Russo. Não tenho vergonha de dizer que gosto de Roupa Nova. A lista completa seria longa. Mas em geral no meu carro carrego somente música instrumental. Ultimamente estou ouvindo o CD FOUR do grupo Jazz 6, que traz no sax o conhecido escritor Luiz Fernando Veríssimo. Escuto toda semana. É gravação das Paulinas.
Dos compositores católicos admiro muitos e escuto todos uma vez. Mas só consigo continuar ouvindo o que vem do Dalvimar, do Walmir Alencar e do Pe. Zezinho. Não escuto meus discos porque não gosto. Tem uma compositora preferida que não é conhecida: Ir. Maria Angélica, carmelita de Camaragibe, em Pernambuco. Para mim é a melhor sensibilidade mística e musical que temos hoje no Brasil. Como banda coloco o destque total no Rosa de Saron, que uso em minhas aulas.
- Qual é a maior luta de um artista cristão?
Pe.Joãozinho - Manter a humildade quando vem o sucesso e a serenidade quando vem o fracasso.
- Qual é a sua maior luta?
Pe.Joãozinho - Manter a disciplina para equilibrar oração e ação.
- Você acabou de lançar um livro que fala sobre Liderança, qual a diferença entre liderança no mundo corporativo e liderança de um ministério, grupo ou movimento na igreja? Podemos aplicar os mesmos conceitos?
Pe.Joãozinho - Não existe diferença. Líder é líder em qualquer lugar. Os princípios são os mesmo. A amorosidade faz os grandes líderes de sucesso. Não foi assim com Jesus e Paulo de Tarso?
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Pe.Joãozinho - Lembre-se: assim como nas Bodas de Caná, quanto mais água de esforço você investir na sua arte, mais vinho de unção você receberá. Mas lembre-se: esforço humano é apenas água... só a graça de Deus nos dá sabor!
Por Mariana Pelozio |